A internet está cheia de artigos que dizem a mesma coisa com palavras diferentes. Ficou fácil: qualquer IA escreve "10 dicas para atender melhor no WhatsApp" em segundos. O problema é que o Google também percebeu isso. E o que ele procura agora tem nome: information gain.
O que é information gain
É quando o seu conteúdo acrescenta algo novo em vez de repetir o que já existe. A expressão vem de uma patente do Google sobre como avaliar se um documento traz informação que as outras páginas ainda não trouxeram.
As diretrizes do Google para conteúdo útil fazem perguntas na mesma linha: o conteúdo traz informação, pesquisa ou análise original? Oferece algo que vai além do óbvio? Mostra experiência de primeira mão?
Em português de gente: se o seu artigo poderia ter sido escrito por qualquer pessoa, ele não tem por que aparecer na frente dos outros.
O que a IA não inventa
A IA escreve bem, mas só sabe o que já está publicado. Ela não tem:
- a sua opinião, inclusive a que contraria o mercado;
- as suas histórias com clientes;
- os seus erros e o que você aprendeu com eles;
- os seus números: preços reais, prazos, resultados;
- o que você nunca faria de novo;
- o que o seu concorrente faz errado e você aprendeu a evitar.
É isso que separa o seu conteúdo do resto. E o seu concorrente não tem como copiar.
O método: a IA entrevista você
1. Pare de pedir para a IA pensar por você
"Escreva um artigo sobre X" gera o artigo médio da internet. É o oposto de information gain.
2. Peça para ela fazer perguntas
Use um pedido assim:
Quero escrever sobre [tema] para o site da minha empresa. Me faça perguntas sobre a minha experiência com esse assunto, uma de cada vez. Espere a minha resposta antes da próxima. Pergunte sobre casos reais, números, erros, o que deu certo, o que eu não faria de novo e o que eu vejo outras empresas errando. Depois de umas 10 perguntas, monte o roteiro do artigo usando só o que eu respondi.
Responda por texto ou grave áudio. Quanto mais específico, melhor.
3. Acrescente o que só você sabe
Com o roteiro pronto, garanta que o artigo tem pelo menos:
- um caso real, mesmo sem citar o nome do cliente;
- um número seu: preço, prazo, resultado, antes e depois;
- um erro que você cometeu ou viu acontecer;
- uma opinião clara sobre o assunto.
4. Só então use a IA para escrever e revisar
Agora sim: ela organiza, deixa o texto claro e corrige o português, em cima do que é seu.
Como aplicamos isso no AutoZap
Este blog também é escrito com ajuda de IA. Mas, para cada assunto, procuramos o que só a gente sabe:
- Um cliente que tinha medo de IA. Em vez de um artigo genérico sobre "IA humanizada", contamos a história real de um cliente que começou no plano mais simples, sem IA, e foi evoluindo até usar a IA vendedora.
- Os nossos próprios números do Google. No artigo sobre Configuração com IA do Search Console, mostramos que o nosso artigo de webchat estava na posição 10, com zero cliques, e o que mudamos.
- O que deu errado. No artigo sobre páginas não indexadas, mostramos que, das 6 páginas recusadas no nosso site, só 1 era problema.
- O que a gente tirou do ar. Quando uma função ainda não estava liberada para todos os clientes, revisamos os artigos que falavam dela para não prometer o que o cliente não ia encontrar.
Checklist antes de publicar
- Tem pelo menos um caso, número ou experiência que não está em outro site?
- Tem uma opinião clara, e não só "depende"?
- Uma pessoa do seu ramo aprenderia algo novo lendo?
- Você assinaria esse texto com o seu nome?
Se a resposta for não, volte para a entrevista.
Não tem tempo para escrever?
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